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19 de janeiro de 2013

Memórias de 2012 #18 - Gosto Amargo

Na volta de Ricardinho, seleção Masculina de vôlei faz a pior Liga Mundial da Era Bernadinho. Ano ainda seria marcado pela histórica derrota contra a Rússia na decisão olímpica


Como o destino é traiçoeiro e como o esporte é tão cruel! Nos últimos anos, nenhuma outra seleção conseguiu nos dar tantas alegrias quanto o grupo comandado por Bernardinho. No comando da equipe desde 2001, foram oito títulos de Liga Mundial, dois de Copa do Mundo, um ouro olímpico em Atenas 2004, prata em Pequim 2008 e tantos outros motivos de orgulho que fizeram muitos torcedores afirmarem que o Brasil já não era mais apenas o país do futebol.

E em ao olímpico, a expectativa era continuar na saga amplamente vitoriosa. Antes dos Jogos de Londres, o aperitivo seria a Liga Mundial. Ricardinho, fora da equipe desde os Jogos Pan-Americanos Rio 2007, estava de volta.

Depois de colocar o Vôlei Futuro na decisão da Superliga 2011/12, a volta do levantador não era unânimidade no grupo, mas muitos eram os torcedores que acreditavam na sua experiência para buscar reconquistar o ouro perdido nos Jogos de Pequim 2008.

Experiência realmente não faltava, mas a convocação de Bernardinho acabou trazendo consequências negativas. Sem se achar em quadra, a seleção foi perdendo, perdendo, fazendo partidas irreconhecíveis e se distanciando muito daquela equipe tão acostumada a vencer.

Para piorar, os poloneses Kurek, Bartaman, Mozdzonek, Ignaczak e Cia. jogavam para fazer história. Depois de derrotarem quatro vezes a equipe brasileira, o primeiro título mundial ficaria nas mãos de uma torcida tão apaixonada por vôlei quando a nossa. Aos brasileiros, caberia um indigesto sexto lugar geral, pior coloção da seleção em toda a Era Bernardinho.

Mas, se o ano era olímpico, nada melhor que um ouro para esquecermos rapidamente aquela competição que, no final das contas, não valia nada.

Tudo estava indo absolutamente bem até o segundo set da final olímpica contra os russos: placares tranquilos ( (19-25, 20-25), dois match points e certeza que o terceiro ouro olímpico da história já estava mais do que garantido.

Mas, eis que os russos colocariam água no nosso chop. Depois de vencerem os três sets restantes, todo aquele orgulho acabaria se transformando em dor, decepção e muita tristeza. Aquela conquista, que eternizaria a carreira de Bernardinho, além de não vir, acabou colocando em xeque anos e anos de trabalho do treinador.

Todas aquelas imagens de peixinhos em quadra, sorrisos, abraços, etc, acabou cedendo lugar a expressões de choro, abatimento e muita tristeza. E, para a exigente e mau acostumada torcida brasileira, aquela prata pouco significaria.

Aquele Dia dos Pais aqui no Brasil, que deveria terminar em festa, acabou ganhando clima de velório, por "culpa" justamente daqueles que mais nos fizeram comemorar nos últimos anos.

Certamente, um dos mais duros golpes do destino em 2012!


18 de janeiro de 2013

Memórias de 2012 #17 - Coisas que esquecemos

O esporte é espetacular porque favoritos nem sempre vencem, os melhores muitas vezes se perdem, o nervosismo atrapalha e o sonho vira pesadelo

... E foi assim que eles, os bicho papões Togers e Dalhausser perdem para italianos Nicolai e Lupo por 2 sets a 0, nas oitavas de final e ficaram fora da disputa pelo bicampeonato olímpico. Depois de ganharem tudo o que disputaram e deixarem os outros times comendo poeira. 

Também foi assim que Larissa e Juliana perderam toda a concentração delas e deixaram escapar a vaga na final

Maurren Maggi - A Campeã olímpica em Pequim-2008 - não chegou às finais do salto em distância. Com a perspectiva de saltar 7m (venceu o ouro na Olimpíada chinesa com 7,04m), a brasileira chegou apenas a 6,37m e terminou em 15º lugar. A última classificada à final cravou 6,40m ( Esportes.br)
 Ricardo e Pedro Cunha vinham muito bem no Circuito Mundial de Vôlei de Praia e nenhum
dos pessimistas de plantão apostaria na eliminação

Diego Hipólito tão campeão não disputou as finais.

A Seleção masculina de vôlei com a medalha de ouro quase no peito, viu o jogo escapar por entre os dedos

Fabiana Murer não quis saltar por causa do vento ( mas todo mundo saltou, né?)

Cesar Cielo não era mais o homem mais rápido do mundo nas piscinas

A seleção masculina de futebol experimentou a revolta da torcida com seu futebol de segunda classe. 

E tantas foram as lágrimas, as histórias que fugiram do nosso imaginário, muitas vezes por segundos outras por sets inteiros, mas não vamos esquecer que foi também assim que a Seleção Feminina venceu a Rússia que era favorita. Que os alemãs Julius Brink e Jonas Reckermann venceram Ricardo/ Pedro Cunha e Alison/ Emanuel, até então favoritos. E o que dizer de Thiago Pereira que nadou mais rápido que Micheal Phelps pelo menos uma vez, a vez que colocaria sua medalha olímpica na história mundial. 

O Esporte é surpreendente. 
Pena que tem gente que esquece disso e cobra vitórias como se elas ja estivessem escritas. 

Coisas que esquecemos!   

 

 


13 de janeiro de 2013

Memórias de 2012 #12 - Xô, Ovas

 Seleção feminina despacha Rússia, supera trauma e conquista bi-campeonato olímpico

Você se lembra do que estava fazendo na manhã do dia 15 de novembro de 2010? Muito provavelmente, assistindo a decisão da Copa do Mundo de Vôlei Feminino, entre Brasil x Rússia, que estava sendo transmitida em TV aberta para todo o Brasil.

Como em algumas outras decisões recentes, nossas meninas sofreriam mais um duro golpe ao perder para a Rússia no tie-break, com uma impecável atuação da gigante Gamova, maior pontuadora da partida, com 35 pontos.

Muito choro, críticas pesadas na imprensa e permanência de um rótulo tão doloroso: o de eternas amarelonas.

E você se lembra do que estava fazendo no início da tarde do dia 7 de agosto de 2012? Brasil x Rússia estavam em quadra mais uma vez, decidindo quem avançaria às semifinais das Olimpíadas de Londres. Talvez você nem estivesse acompanhando a partida, mas muito provavelmente acabou vendo a repercussão da partida em algum site, jornal ou canal da TV.

Com uma campanha desanimadora na primeira fase - três vitórias (duas delas conquistadas apenas no tie-break), duas derrotas e classificação com um modesto quarto lugar no Grupo B - muitos eram os que davam como certa a eliminação das brasileiras pelas tão temidas"ovas".

Mas aquele dia seria diferente: depois de salvar seis match points, cinco deles com Sheilla, e fechar o tie-breack pelo incrível 21/19, aquele "carma", enfim, seria eliminado.

Choro, muitos beijos para as câmeras, peixinho histórico de José Roberto Guimarães e um ouro enomendado para o sábado seguinte.

Embora Japão e Estados Unidos ainda estivessem pelo caminho, aquela segunda medalha dourada da história não escaparia! E não escapou mesmo: 3 sets a 1contra as norte-americanas (11-25, 25-17, 25-20 e 25-17) e bi-campeonato olímpico para ficar eternizado!

11 de janeiro de 2013

Memórias de 2012 #10 - A foto mais triste

Perder a tão sonhada medalha olímpica dói, parece que o trabalho e o sonho foram em vão, Ricardo e Pedro Cunha do vôlei de praia viram o jogo ir embora e o gostinho amargo foi registrado pelas camêras fotográficas.


Nem o mais pessimista dos torcedores verdadeiros do vôlei de praia imaginava algo diferente do que uma final entre Talita/ Maria Elisa x Juliana/ Larissa e Ricardo/ Pedro x Alison/ Emanuel, claro que havia a sombra dos americanos tanto no feminino como no masculino, além de Xi e Xue, mas nós éramos os líderes do ranking, o que podia dar errado. 

Não sei. Se existisse resposta para essas perguntas o esporte talvez não tivesse graça. Há quem diga que os alemães Brink e Reckermann e as americanas Wash e May que ficaram com o ouro se planejaram de forma diferente, nem sequer jogando o Circuito Mundial, enquanto Ricardo/ Pedro e Talita/ Maria Elisa tiveram que suar suas vagas ponto a ponto. 

Não importa agora, o futuro é incerto apesar de ser no Brasil, esse post é para falar da foto e das que eu vi essa foi uma das mais tristes, nossos representantes depois da derrota. 

Pedro e Ricardo, tem problema não. Força, dedicação, treinamento, o futuro é agora, como diz aquela música: já começou, a gente escreve todo dia. 

Vale também para Talita/ Maria Elisa e tantos outros que amargaram essa dor olímpica! 

Leia mais e sinta esse clima em  Londres - Vôlei com emoção ou sem emoção?

10 de janeiro de 2013

Memórias de 2012 #9 - Esse Cara sou eu

Thiago Pereira - De Mister Pan ao pódio de Londres, se diz satisfeito e com a missão comprida

Thiago foi questionado por uma torcida chata e injusta, contaminada com a Síndrome do Vira-lata, ou seja, o que é do outro é melhor do que o que é meu, mas Thiago sabia que na hora que caísse na piscina só poderia pensar em si e em cumprir sua prova, a prova da sua vida, afinal Londres foi sua terceira participação nos jogos olímpicos e poderia ser a última. 

E lá foi ele, confiante, sem medo de ser feliz, trazendo no bolso uma medalha de prata com sabor muito dourado nos 400 metros nado Medley. 

Thiago, você foi sensacional
Quantos meninos e meninas neste Brasil nadam, treinam sem nenhuma pretensão de competir, mas olham para a história e encontram não só Gustavo Borges, Fernando Sher e Cesar Cielo, encontram caras como o Thiago, carioca, brasileiro, batalhador, num país em que o esporte não pode parar, mas parece que nunca sai do lugar. 

Valeu Thiago! 

Esse Cara é você! ( Sou eu) de 2012

Conheça o Blog oficial do Thiago Pereira
Leia a emoção da medalha: Lágrimas de alegria e também de tristeza
   
Não foi diferente com Thiago Pereira, 2 Olimpíadas e nenhuma medalhinha, de ser elogiado por suas participações nos Pans e nos Mundiais, não, a única coisa que ouvíamos era: "coitado, só consegue assim, jogos olímpicos não é pra ele." É pra ele sim, Thiago foi a Londres para vencer, declarou que só pensou em si naquele momento, que sabia que devia dar mais do que vinha dando, que se baixasse seu próprio tempo conseguiria. E conseguiu, na terceira Olimpíada sua tão sonhada medalha, disse que a prata pra ele é ouro, que agora considera a missão cumprida. ( Apenas um ponto esportivo - Lágrimas de alegria e também de tristeza)

5 de janeiro de 2013

Memórias de 2012 # 4 - A desacreditada

Seleção de futebol decepciona em Londres, não agrada torcida e tenta desesperadamente acertar,  trocando de técnico

A torcida brasileira reconhece a cada ano o vôlei como esporte no país e melhor do que isso: reconhe o país como um país do vôlei, mas é difícil de mudar costumes e tradições que estão impreguinados na alma, na história e na verdade cabe no coração do brasileiro torcer pelos dois esportes, dá pra gritar gol e acompanhar um jogaço de vôlei, vibrando com nossas meninas colocando a russa Gamova em seu devido lugar.

O problema não é a emoção do esporte e sim o descrédito que ele pode gerar e ninguém representa isso melhor do que a Seleção masculina de futebol: atletas milionários, verbas enormes de TV e marketing, o mundo que o futebol movimenta, "cutuca as onças" com vara curta, deixa o torcedor irritado e levanta muitas de questões, como a já clássica " se temos o melhor futebol do mundo, por que não temos a melhor seleção do mundo?"

Cada torcedor tem sua resposta para essa pergunta, não existe a verdade confirmada, não ainda, mas se o brasileiro cobra os atletas da natação, da ginástica, do vôlei, do judô, ele não perdoa a seleção de futebol, simplesmente porque o melhor futebol do mundo, deduz que temos a melhor seleção do mundo e logo temos que vencer tudo, certo? Errado.

Para ter TODA essa credibilidade você precisa conquistá-la, fazer por merece-la, nossa seleção principal fez 13 partidas em 2012: 9 vitórias, 1 empate e 3 derrotas, nenhum time de peso derrotado. Em Londres, a seleção Sub-23 com nomes de peso como Neymar, Lucas e Oscar foi prata, ao ser derrotada pelo México por 2 a 1, no estádio de Wembley.

Manos Menezes dava sinais, ainda que tardios de encontrar um time, mas foi surpreendido com a decisão da troca de treinadores: a CBF contratou os técnicos Luis Felipe Scolari, treinador do pentacampeonato em 2002 e Carlos Alberto Parreira, treinador do tetra, este para ser coordenador técnico. A mudança não era esperada, mas Felipão prometeu como primeira meta reconquistar a simpatia do povo, da torcida.


Pelo menos em 2012 Ricardo Teixeira finalmente deixou a presidência, assumindo em seu lugar José Maria Marin, ainda é cedo para dizer algo a respeito disso.  O importante é que eu só acredito na seleção de futebol vendo, e você? 

Seleção Masculina de futebol - A desacreditada de 2012

Para ler mais: B!734 - OPORTUNIDADE PERDIDA
 

Foto: Globoesporte.com 

25 de agosto de 2012

Muito Prazer: o estatístico de ouro

'Sou um privilegiado, fico envaidecido com tudo isso', diz Boni.
Há exatos 15 dias, estavámos nós comemorando o bicampeonato olímpico da seleção feminina de vôlei! Um 3x1 de virada, para cima das poderosas norte-americanas e um sentimento de superação super bacana com as nossas meninas!

No entanto, com os holofotes todos voltados para as jogadoras e para o técnico Bernardinho, um notável trabalho quase passa despercebido: o da estatística, dirigido por Marco Antônio Di Bonifácio, o Boni, formado em educação física, mestre e doutorando da USP.

A matéria foi produzida por Cleber Akamine, do Globo Esporte.com, e por mostrar o vôlei de um ângulo totalmente diferente, compartilho alguns trechos para que aqueles que ainda não conferiram possam perceber a importância de Boni na conquista da medalha em Londres.

Ao lado do técnico José Roberto Guimarães desde 2007 (também foi campeão em Pequim-2008), é ele o responsável por colher os dados estatísticos da equipe e também das adversárias. Quem saca melhor? Quem defende pior? Onde a ponteira costuma bater a bola? Quem é a atacante mais acionada?

- As norte-americanas eram favoritas ao título, mas a gente sabia que poderia ganhar delas. A gente tinha que fazer algo diferente para vencê-las. Depois de muitos vídeos, muitas análises, observamos que as americanas perderam para a Alemanha na Copa do Mundo porque as alemãs adotaram um jeito diferente do que a gente vinha usando.

O assistente técnico revelou um dos 'segredos' da final olímpica.

- Antes, a gente sacava na Larson e até na Logan Tom. E não adiantava. Além de elas passarem muito bem, a bola era muito rápida. Então, passamos a forçar o saque na líbero delas, que não estava tão bem, e tinha um passe um pouco mais alto (lento). Isso acabou facilitando a ação do nosso bloqueio e também da nossa defesa - comentou o estatístico, que durante os jogos fica no fundo da quadra, filmando as partidas e anotando tudo em um notebook, nos mínimos detalhes - as informações são transmitidas em tempo real para os auxiliares, que ficam com um tablet, no banco de reservas.

Boni trabalha antes, durante e depois dos jogos. Durante toda a fase de preparação, por exemplo, as atletas assistem a várias partidas das adversárias.

- Antes de cada jogo, costumamos fazer duas ou três sessões de vídeo. Algumas seleções, como a dos Estados Unidos, a gente já tinha referências de como as atacantes atuam e qual a maior incidência e direcionamento de ataque que elas possuem. Isso, desde Saquarema (local de treinamentos da seleção no Rio de Janeiro).

Amigo de José Roberto Guimarães, Marco Antônio Di Bonifácio foi convidado pelo próprio treinador para integrar a equipe que estava sendo montada para a disputa dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.

- Quando o Zé me chamou para participar da comissão técnica, eu nunca tinha mexido com estatística ou com computação. Ele queria uma pessoa que fizesse uma análise estatística da equipe, e não somente um número frio. Tive que aprender muito rápido. Ele chegou para mim no ano olímpico, e queria que eu estivesse o tempo todo junto. Eu pensei, ótimo.

O assistente chegou a questionar o treinador.

- A primeira pergunta que eu fiz foi a seguinte: ‘você acha que eu sou capaz?’. Ele disse ‘eu acredito, por tudo o que você faz e pelos desafios que você já enfrentou. Acredito que você tenha competência para assumir isso e aprender'. Pronto. Em 45 dias eu me tornei um estatístico e na minha primeira Olimpíada fomos campeões. Sou um privilegiado e fico envaidecido com tudo isso.

 A entrevista completa com Boni pode ser conferida através deste link.

15 de agosto de 2012

Londres - Vôlei o ouro que virou prata



Na verdade ninguém apostava nada na Seleção Masculina de Vôlei, afinal depois da participação na Liga Mundial havia muitas dúvidas no ar, mesmo assim Bernadinho apostou naquilo que havia acreditado e manteve sua linha de raciocínio, mesmo contra a crítica de muitos. 

Era uma seleção que misturava novas apostas como Bruno, Sidão, Lucão, Thiago Alves e Wallace somados aquela geração que nos acostumou com a parte mais alta do pódio: Giba, Rodrigão, Dante, Ricardinho, Serginho. Só Murilo ficava entre uma e outra. 

Vimos apresentações de gala dos brasileiros, mas um descuido fatal. Todavia é preciso dizer que apesar do nosso time ter parado, não dá para ignorar o mérito de um time que coloca o central de oposto e acaba com o jogo. A Rússia se transformou e como Fenix ressurgiu das cinzas tomando nossa medalha de ouro. 

O choro de Serginho, dolorido pela despedida de prata. O de Sidão era inconsolável de um guerreiro que foi peça fundamental durante todo o projeto o de Bruninho queria, apesar dele nunca dizer, provar que ele tem condições de ser o titular sim senhor e só quem não vê são aquelas pessoas que procuram pelo em ovo,  ou se preferirem preferem acusar um técnico multicampeão de nepotismo. 

A prata é um grande resultado, tudo bem que sempre dói, mas é também inesquecível, como havia dito Emanuel, do vôlei de praia, uns dias antes com sua medalha no peito: a prata entra pra história, o gosto ruim as pessoas esquecem, só que a gente queria o ouro. 

Serginho pediu que seu sucessor honre sua camisa. Ricardinho foi mais enfático e saudosista: " Quem viu, viu" referindo-se a essa geração que conquistou o mundo, qual seleção se manteve no pódio sempre, por tanto tempo? Se você que condena o Brasil encontrar uma que bata a nossa por favor me diga que eu volto atrás na minha opinião. 

Nossa Seleção é o time a ser sempre batido, é o adversário estudado, aquele que todo mundo quer vencer. Vem aí mais um ciclo olímpico, o que vai mudar? Quem vem por aí? Como vai ser essa nova geração? Essa nova fase?

A liderança começa por Murilo, o elo de ligação entre o que foi e o que vem, talvez tenha a ajuda de Dante pois ainda precisamos de um ponteiro passador, mas tenho minha aposta pessoal de que passa por Bruno e também por Sidão, o central é forte, ataca bem, bloqueia com inteligencia, saca forte e principalmente tem muita vibração, é energia que move o time pra frente. Já não é tão jovem, mas se mantiver o ritmo ajudará a comandar o Brasil nos próximos anos. 

Parabéns seleção prateada! 
A gente não ouviu o hino nacional, mas valeu! 


12 de agosto de 2012

Londres - Vôlei bicampeão: Superação e emoção


Cansei de ouvir que as meninas da Seleção feminina sempre deixavam o emocional falar mais alto e perdiam a concentração. Elas chegaram em Londres sob um olhar de desconfiança, ninguém sabia se o time ainda era o mesmo que sabia vencer, se eram capazes de se superar, se entrariam mais uma vez para a história. 

Estiveram a um passo para voltar para casa, dependiam de uma vitória do time americano para continuarem, as americanas fizeram a sua parte e venceram a Turquia, o Brasil seguiria na competição e quem estaria do outro lado? A Rússia. 


Gamova e cia eram sem dúvida um dos maiores pesadelos brasileiros, o jogo foi épico, sensacional. Imaginem um jogo com 5 sets e 5 match points? O público aqui no Brasil foi a loucura, no meio da tarde muita gente estava trabalhando, sincronizou o twitter no celular para acompanhar o resultado, quem desceu para um café quase não subiu de volta, elas estavam ali e a gente precisava mandar nossa energia. Confesso que desacreditei, pensei: Já era. Quando entrei novamente no celular e vi o resultado, pensei: meu Deus, ganhamos, o ouro vai ser nosso! 

O Japão sentiu o efeito da vitória contra a Rússia. 

Agora era com os EUA, assisti incrédula ao primeiro set. Não podia ser assim, depois de tudo, merecíamos mais. No segundo set foi outro time e começou a voltar o nosso time campeão. Jaqueline firme concentrada, passando e atacando de forma decisiva. Dani Lins, ah... a Dani, como sofreu para chegar até aqui e que linda declarando seu amor, pela família, pelo Sidão, pelos amigos, pelo Brasil. 




Fabi, Fabiana, Garay, Sheila, Taísa e todas elas, como jogaram, vibraram, deram o sangue. 

Zé Roberto, o único tricampeão olímpico. Um mito do esporte. Não é qualquer um que consegue esse feito, não é para qualquer ser humano conseguir recomeçar com um novo grupo ou com o mesmo grupo para um novo desafio. O Zé não é unanimidade em suas escolhas, foi questionado na convocação, na escolha da Dani Lins, por apostar na recuperação da Natália, por ter coragem de trocar a Paula Pequeno por Fernanda Garay. Ele mesmo que na primeira oportunidade de falar agradeceu a torcida, essa mesma torcida que nunca deixou de acreditar nele e nas meninas. 

Aqui mais uma vez falamos de quem realmente torce, acompanha, conhece as dificuldades superadas e as conquistas do dia a dia, não para aquele torcedor que acha que entende tudo de volei e não sabe nada. 

Parabéns meninas de ouro do Brasil! 
Vôlei 100% pódio. 

Londres - Alison e Emanuel passo a passo


Alison e Emanuel eram uma medalha de ouro dada como certa, que mania essa nossa de escolher nossas medalhas e colocar a responsabilidade nas mãos daqueles que irão brigar por elas. Era a quinta Olimpíada de Emanuel, ele já tinha 2 medalhas: uma de ouro e uma de bronze, já tinha virado estátua, memorável, histórico e mais do que isso: reconhecido mundialmente. 

O brasileiro, salvo aqueles que acompanham o vôlei de praia( nem todos que assistem o vôlei indoor conhecem os atletas de praia), não sabem a importância que um cara como o Emanuel tem para o esporte, não desconfiam da paixão e do profissionalismo com que ele lida com o "ofício" que escolheu para si. Sim, meu amigo, o trabalho dele é o vôlei de praia, ele cresceu ali junto com o esporte, viu o país descobrir a praia e se tornar uma potência mundial, ganhou tudo o que foi possível nesta trajetória, formou com outro gigante, Ricardo, uma das mais fantásticas duplas de vôlei de praia já vistas no mundo e nem por isso ele parou. 

Emanuel sonha sempre um pouco mais, se redescobre, se reinventa e corre atrás, planeja PACIENTEMENTE cada meta a ser batida até o objetivo final. 

Depois de Pequim a notícia do final da dupla com Ricardo seria motivo de grande reviravolta no cenário do vôlei de praia masculino do Brasil, Emanuel escolheu Alison, não sei o que ele disse ao Mamute, mas qualquer jovem atleta não recusaria a oportunidade de jogar ao lado e Alison, considerado um menino não bobeou em aceitar. 

A primeira temporada dos dois foi intermediária, não foi ruim, mas também não foi brilhante. O que se via era um crescimento gradativo, passo a passo, sem pressa. Talvez a paciência tenha sido a grande virtude da dupla, souberam trabalhar, Emanuel sempre declarava em suas entrevistas que não havia segredo, só trabalho, muito trabalho. 

Alison se tornou um gigante: monstruoso no bloqueio, forte no ataque e cada vez mais consciente e humilde, sem esquecer de trabalhador, sempre trabalhador. Foi Rei da Praia 2 vezes e ganhou quase tudo o que podia ao lado do ídolo Emanuel, faltava o ouro olímpico. 




Como eu disse no início deste texto, a gente acreditava no ouro, nada os impediria, só esquecemos que a magia dos jogos olímpicos é exatamente o fato de ninguém ser favorito, ou melhor, os favoritos caem, os pequenos se engrandecem, quem estava quase morto renasce, não existe jogo perdido, ponto esquecido, tudo tem chance de ser diferente. 

...e quis o destino que naquele dia os alemãs fossem melhores do que os nossos. Alison/ Emanuel tentaram, lutaram até o fim e como a prata dói. É história? Sim, sem dúvida. Mesmo assim foram sensacionais. Parabéns! 


Para o Rio 2016 não se sabe o que será, mas a depoimento emocionado do Alison resume o ciclo olímpico da dupla: 

" Eu aprendi que quando você acha que não dá, dá. Que quando você acorda dolorido porque a sua parte física aumentou e você acha que não pra ir mais, dá. Quando você acha que o jogo está perdido, não está perdido. Eu aprendi que a idade não é limite. Aprendi que realmente prum time ser campeão você tem que gostar de jogar junto e a gente gosta de jogar junto, tem uma relação muito forte. Aprendi que você tem que confiar na pessoa. Eu aprendo todos os dias. Essa Olimpíada eu vou carregar pro resto da minha vida porque eu sei que a gente tentou de tudo, perder faz parte do esporte e é por isso que a gente tá tão emocionado. A gente queria muito ganhar, não passamos por cima de ninguém, conquistamos o nosso espaço. Esse cara confiou em mim a 3 anos atrás, eu devo muito a ele, por tudo o que ele me deu e vem me dando todos os dias, como parceiro, como amigo, como irmão, Se eu pudesse, emprestar 3 anos pra ele, eu emprestaria, para mais um ciclo no Rio de Janeiro, mas isso cabe a ele decidir e independente da decisão que ele tomar eu estarei do lado dele." Alison ( Terra TV)


É muito gostoso ver o Emanuel se preocupando com o futuro do vôlei de praia, com o exemplo que irá deixar, para o Alison ele já ensinou, para quem quiser ver o exemplo está aí, tomara que o país aproveite.

9 de agosto de 2012

Londres - Vôlei com emoção ou sem emoção?


Quem diria que o país conhecido por ser o país do futebol se transformaria no país do vôlei? Vôlei de qualquer tipo, de quadra, de praia, militar, juvenil, profissional, amador... simples assim: vôlei.

Não é à toa que nossas seleções feminina e masculina estão no topo do ranking e também estão na mesma posição Alison/ Emanuel e Juliana/ Larissa do vôlei de praia.


A torcida se encantou de tal forma que a galera acompanha jogos de madrugada, faz blogs especiais, cria perfis no Facebook e se envolve apaixonadamente.




As preferidas são as meninas da seleção, talvez pela fragilidade misturada a valentia, a vontade de mostrar que não tem essa de sexo frágil, TPM e tudo mais, que mesmo assim dá pra vencer, mas elas começaram a testar nossos níveis cardíacos logo na fase de grupos perdendo dois jogos e quase ficando fora da próxima fase.





Se emoção pouca é bobagem, Alison e Emanuel jogaram o tie-break logo na primeira partida, com direito a "ufa!" quando o jogo acabou.

A Seleção masculina gosta de dar sorte para o azar e num jogo ruim pra nós, perdeu para os Estados Unidos.


E quando falamos em testar o coração isto inclui o nervosismo, parecia que eu estava ali, na Arena junto com Talita e Maria Elisa, queria poder dizer para a Maria "tentar" ficar calma que o jogo vira de lado, mas não virou e doeu vê-las sendo entrevistadas, falando da derrota, não é apenas um jogo, é um jogo olímpico.




Se parecia pouco, doeria mais ainda ver os alemãs Brink e Reckermann vencerem Ricardo/ Pedro Cunha, era inacreditável, era um tal de vai Pedro você consegue defender, vai Ricardo sou mais o block machine. Vamos lá, fiquem calmos, relaxem, lembrem do "se divertir" , quem estava aqui torcendo sentiu um pouco da tristeza estampada no rosto dos brasileiros (foto)





Aí, a Seleção Feminina de Vôlei, sempre elas, iriam ultrapassar todos os limites de pressão arterial já presenciados: Salvaram 5 match points. Jogaram ali, ponto a ponto, set a set, com uma Rússia chata, um time que estava entalado na garganta de todo mundo, ver a Gamova chorar foi a nossa "vingancinha". Sheila deu show e confessou que havia prometido não perder mais, as brasileiras choravam. Zé Roberto deu peixinho no final. Quem só fala de futebol tinha que falar delas, foram sensacionais. Todavia, da próxima vez pode ser com um pouquinho menos de emoção? ( leia mais aqui)






Semi-final na praia, certos da vitória de Juliana/ Larissa a reação nacional foi o silêncio: redes sociais se calaram, a chuva forte, a expressão angustiada e incrédula das brasileiras também doeu, como buscar forças para a disputa do bronze? Bronze fácil? Que nada, sem emoção não tem graça: primeiro set 11x21 para as chinesas, o Brasil teve que correr atrás.





Além da vontade de ser ouro, um sentimentozinho de vingança pelos alemães terem eliminado nossa outra dupla Ricardo/ Pedro, queríamos ouro e prata, uma final brasileira, mas só podíamos ter uma das duas, que fosse o ouro. Jogo pegado, lutado, jogado de forma sensacional, show de voleibol, mas... deu Brink e Reckermann.. Ah... Alison e Emanuel, dois monstros que mereciam vencer. A gente valoriza a prata, reconhece o mérito do adversário, mas... snif, snif.



A seleção feminina já está na final, a masculina joga amanhã. Jogarão eles com emoção ou sem emoção?


Não perca a hora:
Sexta-feira - 15h30 - Brasil x Itália - Vôlei masculino
Sábado - 14h30 - Brasil x Estados Unidos  Vôlei feminino
Domingo - 9h - Vôlei masculino

Londres 2012 - Juliana e Larissa, as nossas campeãs!


A gente acompanha, torce, até se encontra no meio da torcida organizada da dupla na capital cearense em certo momento, começa a conhecer os fãs nº1, 2, 3, 4... Vibra com a trajetória, não se cansa de repetir os feitos, rever as fotos e torcer, torcer muito.



Empolgados proclamamos aos 4 cantos que nossas heroínas seriam campeãs olímpicas, afinal, para nós estava escrito ( e certo) que seria assim, nem mesmo Walsh e May nos assustava.

Deliramos com as vitórias e a conta já havia sido feita: Faltavam 2 jogos.



A gente só se esqueceu que no esporte a conta nunca é certa, ninguém pode afirmar quem subirá no lugar mais alto do pódio, o melhor, o mais eficiente, aquele que não sentiu a pressão de estar nos jogos olímpicos, tudo isso são variáveis inconstantes e aquele que ganhará a medalha de ouro será o melhor daquele dia, daquela condição, do momento. Assim, April Ross e Jennifer Kessy acabaram com o sonho das brasileiras em Londres, com direito a um cenário de chuva forte. A garganta travou, o silêncio tomou conta da torcida e não ficou restrita a Fortaleza.





O sofrimento da nossa dupla era também nosso. No Facebook as mensagens demoraram a aparecer, tão estáticos estavam os apaixonados por esse esporte que invadiu a vida dos brasileiros.

Depois de digerir uma parte do susto era a hora de se recuperar para a disputa do bronze, sim, ainda havia jogo para Juliana e Larissa e lá estariam as chinesas Xue e Xi, elas que tanto incomodaram o Brasil no Circuito Mundial.


Começada a disputa as brasileiras desconcentradas perderam o primeiro set por um placar estranho de 21x 11, estaria tudo perdido? O sonho havia acabado de verdade? Graças a Deus veio a reação e no melhor estilo deu Brasil, o bronze é nosso! Ufaaa!

Esse post vai pra você que acompanhou todo o ciclo olímpico, você que acredita, torce, se envolve com o vôlei de praia do Brasil, vai em especial para Karina Zanella, Ana Sofia Cavalcante, Maria Grinalda, Gracinha, Sandra Galvão e todos que formam essa linda torcida: " Eu vi que vocês quase morreram do coração! A gente queria o ouro, mas damos muito valor ao bronze" 

Parabéns Juliana e Larissa, vocês mais uma vez escreveram seus nomes na história do esporte desse país e Londres foi só um capítulo, mais um e ainda não acabou.

Assim, elas foram recepcionadas no Brasil, em Fortaleza, abraçadas e festejadas. 

Walsh e May, parabéns pelo Tri campeonato, qualquer apaixonado pelo esporte tem que tirar o chapéu hoje, porque não é para qualquer um vencer as Olimpíadas 3 vezes consecutivas. Vocês são sensacionais e merecem nosso aplauso hoje. 




Fotos: FIBV

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4 de agosto de 2012

Londres - Lágrimas de alegria e de também de tristeza


Uma competição que acontece de 4 em 4 anos e que reúne os maiores de diversos esportes em diferentes categorias, as nações espalhadas mundo afora sonham em subir ao lugar mais alto do pódio ou ainda apenas, subir ao pódio. Alguns países investem pesado no esporte, outros, como o Brasil, ainda fingem investir ou ainda investem naqueles que já ganharam alguma coisa para poder obter algum retorno.


É triste, mas é verdade. Também é triste a crueldade dos brasileiros, aqueles que comentam e que torcem pois colocam nos atletas que estão lá a responsabilidade de serem os melhores sempre e os nossos atletas também perdem, porque alguém tem que perder. Claro que ser o melhor durante quatro anos( os que antecedem os jogos) coloca nos ombros de quem lá está uma responsabilidade maior do que muita gente precisa, afinal estar numa Olimpíada já tem uma carga emocional muito grande, aí eu pergunto: falta um acompanhamento psicológico maior ou é assim mesmo?



De qualquer forma, nenhuma cobrança será maior do que a do próprio atleta, estava estampado na reação de Cesar Cielo ao receber o bronze, nas três participações de Diego Hipólito, na decepção de Fabiana Murer, na tristeza de Talita / Maria Elisa.



Não foi diferente com Thiago Pereira, 2 Olimpíadas e nenhuma medalhinha, de ser elogiado por suas participações nos Pans e nos Mundiais, não, a única coisa que ouvíamos era: "coitado, só consegue assim, jogos olímpicos não é pra ele." É pra ele sim, Thiago foi a Londres para vencer, declarou que só pensou em si naquele momento, que sabia que devia dar mais do que vinha dando, que se baixasse seu próprio tempo conseguiria. E conseguiu, na terceira Olimpíada sua tão sonhada medalha, disse que a prata pra ele é ouro, que agora considera a missão cumprida.


Parabéns Thiago Pereira, você foi sensacional! Parabéns Cielo e todos os judocas!

Valeu Talita/ Maria Elisa fiquei aqui com lágrimas nos olhos, nosso blog acompanhou a evolução da dupla, a paciência e seriedade do trabalho, ninguém entra pra perder, mas... tem dias que foram escritos para não ser nossos. Força! E como disse alguém no Facebook: " Vem pra casa, que a torcida está esperando vocês!"


Apagão para a Seleção Feminina de Vôlei - outro grupo de quem se esperava mais...

Pressão cada vez maior pra quem já ganhou quase tudo e chega com o ombro carregado de cobranças: Seleção masculina de Vôlei, Emanuel, Ricardo e Juliana/ Larissa e até mesmo nos estreantes Alison e Pedro Cunha.

Por outro lado, os americanos atuais campeões olímpicos perderam  - Todd Roggers e Phil Dalhausse estão fora dos jogos Olímpicos. Viu como não basta ser favorito? 

Claro que alguém sempre perde por um motivo, quem superou todos ficou com a vitória. Simples assim.